sábado, 17 de março de 2018

Três ex-satanistas regressam à Igreja Católica e contam sua história

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Mar. 18 / 05:00 pm (ACI).- Neste artigo, há histórias de três católicos, ex-satanistas, que agora compartilham suas vidas em vários fóruns católicos públicos depois de se tornarem palestrantes e escritores.
O ‘National Catholic Register’ apresenta a vida de Deborah Lipsky, David Arias e Zachary King, pessoas que no passado viveram no secretismo, satisfazendo as suas paixões e zombando de tudo o que é cristão, especialmente católico.
1. Deborah Lipsky
É autora de ‘A Message of Hope: Confessions of a Ex-Satanist’ (Uma mensagem de esperança: Confissões de um ex-satanista).
Deborah nasceu em Massachusetts, envolveu-se com o satanismo quando era adolescente e voltou para a Igreja Católica em 2009.
“Você ficaria surpreendido ao descobrir que os cidadãos aparentemente respeitáveis ??na tua comunidade são membros de clãs satânicos, pois são pessoas que conhece na rua: são médicos, advogados e chefes indígenas”, contou ao jornalista do ‘Register’, Jim Graves.
Deborah é autista, o que a levou a se isolar quando era criança. Ela frequentou escolas católicas durante 4 anos. O rechaço e abuso de outras crianças a levou a se comportar mal na sala de aula, o que a afastava das religiosas que administravam a escola “e sugeriram que eu merecia o tratamento que recebia”, disse.
“Eu estava com raiva das religiosas, então, como uma brincadeira e para compensar-me, comecei a frequentar a escola com o pentagrama. Eu também o desenhava nas minhas tarefas. Elas me pediram que deixasse de frequentar a escola. Agora, estes foram os dias prévios à Internet, então comecei a ler sobre o satanismo nos livros e logo depois comecei a falar com os satanistas”, relatou Deborah.
Mais tarde, ela se uniu a um culto satânico, mas o abandonou por causa da vulgaridade das suas missas negras. Recordou: “É a depravação na sua pior forma. O satanismo se trata da indulgência e da destruição da Igreja e da moralidade tradicional”.
Deborah continuou: “Você se sentiria desconfortável ao meu redor, pois eu poderia ter olhado para você com ódio e me considerava muito manipuladora. Você se surpreenderia que muito nova acumulasse uma riqueza enorme, embora trabalhasse a metade do tempo”.
As pessoas convidam o demoníaco às suas vidas através de “portais”, disse e acrescentou que isso pode ser feito através de “tabuleiros de Ouija, um psíquico, participar de uma sessão ou tentando comunicar-se com fantasmas”.
“Também podemos convidá-los quando nos deixamos levar pela ira e nos recusamos a perdoar. Os demônios têm a capacidade de alterar os nossos pensamentos e nos levar aos vícios”, acrescentou.
Por outro lado, disse que os demônios a aterrorizavam.
“Eles vieram pegar a minha alma ou queriam uma possessão total. Tive um sonho no qual um anjo veio me salvar. Levantei-me no dia seguinte e decidi: ‘Eu vou ser católica novamente’”, assegurou.
Um dia, Deborah rezou e disse: “‘Deus, eu não sei se você existe, mas se você existe, envia-me uma religiosa que me leve de volta à Igreja Católica’. Alguns meses depois isso aconteceu. Nossa Senhora me apresentou alguns sacerdotes com experiência em lidar com o demônio, entre eles havia um sacerdote que vivia em Maine. E voltei para a Igreja Católica. Eu amo a Igreja e dediquei a minha vida a Ela”.
Atualmente Deborah encoraja os fiéis a terem uma vida ativa na Igreja Católica, a irem à Missa, a se confessarem regularmente e a usarem sacramentais, especialmente a água benta.
Também recomenda que os fiéis tenham cuidado com os seus hobbies e entretenimentos.
“O estilo de vida com bebidas, festas e farras pode dar uma oportunidade para que o diabo entre. Também recomendo que as pessoas evitem os filmes de assassinato”, acrescentou.
2. David Arias
Ele nasceu na Cidade do México e chegou à Califórnia aos 16 anos. David cresceu, segundo descreveu, em uma família “culturalmente católica”, mas muitas vezes discutia com a sua família, pois ele se descreveu como um “perturbador”.
Os amigos do ensino médio mostraram para ele o jogo da Ouija e o convidaram a usá-lo em um cemitério. O grupo o levou a festas clandestinas, que incluíam a promiscuidade e o uso de drogas e álcool. Logo depois, foi convidado a fazer parte do que chamou “a igreja de Satanás”.
David disse que no seu grupo tinha pessoas de todas as idades (ele tinha 16 anos e era um dos mais jovens) e etnias. Muitos eram “góticos”, pessoas que se vestem de preto e pintam os cabelos, os lábios e os olhos de preto. Outros pareciam autoridades ??e eram médicos, advogados e engenheiros.
O grupo teve cuidado de evitar a polícia e ameaçou matar qualquer membro que publicasse as suas experiências.
Depois de quatro anos participando do culto, David “sentiu um vazio” interior e voltou para Deus e para a sua fé católica. Desde então, casou-se, teve filhos e participou ativamente da sua paróquia, compartilhando a história do seu passado, especialmente na comunidade hispânica.
Aconselhou os pais a vigiar os seus filhos, pois hoje as crianças “têm acesso facilmente a muitas coisas prejudiciais”.
Além disso, recomendou participar sempre da Missa, procurar a confissão e rezar o terço.
“O terço é poderoso. Quando alguém reza o terço, o mal fica irritado!”, expressou.
3. Zachary King
É um ex-satanista que atualmente é um pregador católico do apostolado “Ministério de Todos os Santos”.
Uniu-se a um grupo satânico quando era adolescente, atraído pelas atividades que achava divertidas.
“Queriam que as pessoas continuassem voltando. Tinham máquinas de pinball e videogames que podíamos jogar, havia um lago na propriedade onde podíamos nadar e pescar, e um lugar para fazer churrascos. Havia muita comida, festas e podíamos assistir filmes”, explicou.
Também havia drogas e pornografia. A pornografia, de fato, “tem um papel muito importante no satanismo”, afirmou.
Aos 33 anos, ele se afastou deste grupo. A sua conversão ao catolicismo começou em 2008, quando uma mulher lhe deu uma Medalha Milagrosa.
Hoje, adverte aos pais que evitem expor os seus filhos ao demoníaco. Isso inclui evitar o jogo da Ouija e jogos como Charlie Charlie.
Embora lamente a sua participação no satanismo, confessou os seus pecados e já não se culpa.
“Eu queria ser católico desde que eu era criança e teria desejado ser sacerdote o mais rápido possível. Mas, Deus me permitiu viver estas experiências. Ele quer que eu diga a todos: não façam isso”, concluiu.

terça-feira, 6 de março de 2018

Nem hormônios nem cirurgia mudam o sexo: “Ser homem ou mulher é algo inato”

MADRI, 27 Fev. 18 / 05:00 pm (ACI).- No marco do Congresso Internacional sobre Gênero, Sexo e Educação, diversos especialistas se reuniram em Madri, Espanha, para desmentir os postulados da ideologia de gênero. Entre eles estavam o politólogo argentino Agustín Laje, o ex-transexual Walt Hayar e a pediatra Michelle Cretella, presidente do Colégio Americano de Pediatras.
No evento, realizado em 23 de fevereiro, foi lida a declaração de Madri pela Compreensão, o respeito e a liberdade à qual se aderiram 50 associações e na qual são defendidos os direitos frente ao “engano do gênero”.
“Queremos defender o direito das crianças a não serem manipuladas pela ideologia de gênero, o direito dos pais de educar seus filhos em liberdade e o direito e responsabilidade dos cientistas de poder trabalhar e expor seus estudos sem sofrer coações de leis de mordaça, simplesmente por fazer seu trabalho que consiste em buscar a verdade”.
Também declararam que, “em nome da liberdade, está se eliminando a liberdade. Com o pretexto de promover a igualdade e o respeito pela diversidade, tanto o sofrimento real de muitas pessoas como a sensibilidade da população são aproveitados pelos ativistas da ideologia de gênero para violar os direitos e liberdades fundamentais”.
Além disso, denunciaram que a “estratégia da ideologia de gênero inclui o engano e a coação”.
A pediatra Michelle Cretella, presidente do Colégio Americano de Pediatras, assegurou que as “escolas devem evitar a ideologia transgênero, porque é contrária à ciência e prejudicial para todas as crianças”.
“Os hábitos sociais não mudam o sexo. Os hormônios não mudam o sexo. A cirurgia não muda o sexo. Ser homem ou mulher é algo inato e imutável”, destacou a pediatra.
O ex-transexual Walt Heyer participou do congresso e assegurou que, em seu caso, mudou de sexo porque, a partir do coletivo LGBT, “me disseram que era a solução, mas não me falaram das consequências”.
“Percebi que quem não se sente cômodo com seu sexo é porque há algo por trás de tudo isso e precisa ser capaz de saber o que é, por que se sente assim, qual é a razão profunda... Porque mudar de sexo não vai resolver esse conflito”, assegurou.
Por sua parte, Glenn Stanton, diretor de ‘Enfoque a la familia’ (Foque a família), assegurou que “a teoria de gênero não é científica e está cheia de contradições”.
Stanton também afirmou que o fato de a ideologia de gênero ser uma mentira “não quer dizer que seus seguidores sejam mentirosos, mas que estão enganados”.
O doutor Paul Hruz explicou que, entre as pessoas que decidem mudar de sexo, há um índice “de mais de 90% de tendência ao suicídio do que no resto da população”, também em países onde existe uma grande aceitação do coletivo transexual.
Hruz é especialista em Endocrinologia Pediátrica e membro do Programa de Atenção Multidisciplinar de Transtornos do Desenvolvimento Sexual da Universidade de Washington, em Saint Louis (Estados Unidos).
Dr. Hruz destacou que “cada célula do corpo está geneticamente determinada pelo sexo. Por isso, a única coisa que se pode mudar é a aparência, mas não o sexo”.

Qual é a diferença entre um monsenhor, um bispo e um cardeal?

REDAÇÃO CENTRAL, 05 Mar. 18 / 04:00 pm (ACI).- Embora monsenhores, bispos e cardeais usem uma batina com cores relacionadas ao seu cargo, nem sempre a maioria dos católicos consegue diferenciá-los.
A seguir, confira um guia rápido de ‘BeeCatholic’ para identificar cada cor e o seu simbolismo.
1. Monsenhor
Durante muitos séculos, o Papa costumava conceder títulos honoríficos aos sacerdotes dentro da sua Casa Pontifícia. O título foi usado ao longo dos anos e logo foi dado a sacerdotes fora de Roma com a recomendação de um bispo; entretanto, recentemente foi limitado pelo Papa Francisco, voltando à prática anterior.
Alguns sacerdotes que têm o título de monsenhor não necessariamente são bispos.
Ao ser membros da Casa Pontifícia, os monsenhores vestem a cor púrpura (que está mais próximo do magenta), uma batina com botões, uma faixa e geralmente não tem um solidéu ou uma cruz peitoral que os distingue de bispos e cardeais.
A cor púrpura está ligada à tradição no Império Romano para vestir novos dignitários com um manto púrpura. Na heráldica medieval, esta cor simbolizava a justiça, a majestade real e a soberania.
2. Bispo
Na maior parte da história da Igreja, o verde era a cor dos bispos. Esta cor ainda pode ser vista no brasão tradicional que cada bispo escolhe quando é eleito. Entretanto, no século XVI, a cor foi mudada para “vermelho amaranto”, chamada assim fazendo referência à cor da flor do amaranto. Parece a cor fúcsia.
Como tem uma cor semelhante à púrpura, tem um valor simbólico que está relacionado à tarefa do bispo de governar a diocese local.
Além disso, os bispos se identificam ao usar a mesma cor no solidéu e têm uma cruz peitoral.
3. Cardeal
O nome técnico da cor utilizada pelos cardeais é “escarlate”. Esta cor os diferencia como membros do Colégio Cardinalício e como “príncipes” da Igreja.
Quando o Papa coloca o barrete (um chapéu com 3 ou 4 pontas que faz parte da vestimenta litúrgica) na cabeça do cardeal, ele diz: “(Isto é) Escarlate, como sinal da dignidade do Cardinalato, o que significa a sua disposição para agir com coragem, e mesmo para derramar o seu sangue, em prol do aumento da Fé Cristã, da paz e tranquilidade do povo de Deus, e da liberdade e exaltação da Santa Igreja Romana”.

quarta-feira, 7 de fevereiro de 2018

Papa adverte a não substituir as leituras da Missa por textos não bíblicos

O Papa Francisco rejeitou a possibilidade de que na Missa se substitua as leituras do dia por textos não bíblicos e advertiu que se trata de uma prática proibida, porque “empobrece e compromete o diálogo entre Deus e seu povo em oração”.
O Santo Padre, depois de ter falado em catequeses anteriores dos ritos de início da Missa, refletiu na Audiência Geral desta quarta-feira, 31 de janeiro, sobre a Liturgia da Palavra, “uma parte constitutiva porque nos reunimos justamente para escutar o que Deus fez e pretende ainda fazer em nós”.
Em seu ensinamento, assinalou que “a proclamação litúrgica das mesmas leituras, com os cantos deduzidos da Sagrada Escritura, exprime e favorece a comunhão eclesial, acompanhando o caminho de todos e de cada um de nós”.
Por este motivo, determinadas decisões subjetivas que alteram a Liturgia da Palavra, “como a omissão de leituras e a sua substituição por textos não bíblicos são proibidas: isto de fato empobrece e compromete o diálogo entre Deus e o seu povo em oração”.
Pelo contrário, “a dignidade do ambão e o uso do lecionário, a disponibilidade de bons leitores e salmistas, um clima de silêncio, favorecem a experiência do diálogo entre Deus e a comunidade de crentes”.
Nesse sentido, destacou a importância de que aqueles que leiam as leituras na Missa, o façam bem: “Procurem bons leitores, aqueles que saibam ler, não aqueles que leem e não se entende nada. Devem se preparar e ensaiar antes da Missa para ler bem”.
Além disso, Francisco destacou “a importância do Salmo responsorial, cuja função é facilitar a meditação do que escutamos na leitura que o precede. É bom que o Salmo seja valorizado com o canto, ao menos do refrão”.
O Pontífice insistiu na importância que a Liturgia da Palavra tem na Missa: “Na Liturgia da Palavra, as páginas da Bíblia deixam de ser um escrito para tornarem-se palavra viva, pronunciada pelo próprio Deus que, aqui e agora, nos interpela a escutar com fé”.
“O Espírito – explicou – que falou por meio dos profetas e que inspirou os autores sagrados, faz com que a Palavra de Deus funcione realmente no coração, o que favorece que ressoe nos ouvidos. Para receber a Palavra de Deus, é preciso ter o coração aberto”.
Por isso, “é muito importante escutar. Algumas vezes não entendemos bem porque existem algumas leituras um pouco difíceis. Mas Deus nos fala o mesmo em outro modo: em silêncio e ouvir a Palavra de Deus. Não esqueçam isto. Na Missa, quando começam as leituras, ouçamos a Palavra de Deus”.
“Deus fala e nós escutamos para depois colocar em prática tudo o que escutamos”, afirmou.
“Temos necessidade de escutá-lo! É de fato uma questão de vida, como bem recorda a incisiva expressão ‘nem só de pão o homem viverá, mas de toda a palavra que procede da boca de Deus’”.
Esse é o motivo pelo qual “falamos da Liturgia da Palavra como da ‘mesa’ que o Senhor prepara para alimentar a nossa vida espiritual”.
O Papa insistiu que, enquanto se lê a Palavra, é preciso permanecer atentos e não se distrair. “Quantas vezes, enquanto se lê a Palavra de Deus, comenta-se ‘olha aquele lá, olha aquela lá’… e assim começam a fazer comentário. Deve-se fazer comentários enquanto se lê a Palavra de Deus? Não, porque se você está conversando com as pessoas, não ouve a Palavra de Deus. Quando se lê a Palavra de Deus na Bíblia, a Primeira Leitura, a Segunda, o Salmo responsorial, o Evangelho, devemos ouvir e abrir o coração, porque é Deus mesmo que nos fala, e não pensar em outras coisas ou falar de outras coisas”.
O Santo Padre finalizou sua catequese afirmando que na Liturgia da Palavra, o Espírito Santo age e, para que essa ação se torne eficaz, “são necessários corações que se deixem trabalhar e cultivar”.
Por ACI Digital

Comissão de Roma emitirá parecer sobre causa de beatificação de Frei Damião

No próximo dia 6 de fevereiro, em Roma, na Congregação das Causas dos Santos, a Comissão dos Teólogos se reunirá para dar seu parecer sobre a Causa de Beatificação e Canonização de Frei Damião de Bozzano. Esta informação foi confirmada pelo Frei capuchinho Jociel Gomes, postulador da causa de beatificação do religioso italiano radicado no Brasil.
Sendo positivo, o parecer será apresentado ao Cardeal Angelo Amato, Prefeito da Congregação. O purpurado, aliás, deve apresentar ainda este ano o resultado ao Sumo Pontífice.
Por sua vez, o Papa Francisco permitirá a publicação do “Decreto de Venerabilidade”, que fará com que Frei Damião de Bozzano seja declarado “Venerável” pela Igreja Católica, sendo um significativo passo à beatificação.
Com a comprovação de um milagre ocorrido pós-morte do frade, o mesmo poderá ser declarado “Beato”. Mais um milagre, acontecido depois da beatificação, ele será inscrito no álbum dos santos.
Entrevistado pelo site da Arquidiocese de Olinda e Recife, o Frei Jociel Gomes explicou que desde 2012 a “fase diocesana” do processo teve seu encerramento e, desde então, está em curso a chamada “fase romana”.
Na reunião que acontecerá no início de fevereiro, em Roma, a Comissão dos Teólogos emitirá um parecer sobre o reconhecimento ou não das virtudes heroicas praticadas em vida pelo Servo de Deus.
Conforme o Frei Jociel, caso seja reconhecida a prática das virtudes heroicas, o Pontífice, em nome da Igreja Católica, autorizará a publicação do “Decreto de Venerabilidade”, que dará acesso ao processo de beatificação e exigirá a comprovação de um milagre ocorrido por meio da intercessão pós-morte do Frei Damião, a fim de que o frade capuchinho seja reconhecido Beato.
Já a canonização exige também a comprovação de um milagre, que seria o segundo no processo, e que tenha acontecido após a declaração de Beato. Sendo assim, são exigidos dois milagres comprovados para que o religioso seja reconhecido santo.
O Frei Jociel ainda fez um apelo aos fiéis que rezem e divulguem a oração pela beatificação de Frei Damião. (LMI)
Por Gaudium Press, com Arquidiocese de Olinda e Recife

TEXTO: Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma

VATICANO, 06 Fev. 18 / 08:45 am (ACI).- A Santa Sé divulgou a Mensagem do Papa Francisco para a Quaresma 2018, que tem como título “Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos”.
Nela, o Pontífice adverte sobre a quantidade de “homens e mulheres” que “vivem fascinados pela ilusão do dinheiro” e que, “na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos”.
Uma das recomendações que faz é o de dar esmola, porque “liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão”.
A seguir, a mensagem completa do Papa Francisco:
«Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (Mt 24, 12)
Amados irmãos e irmãs!
Mais uma vez vamos encontrar-nos com a Páscoa do Senhor! Todos os anos, com a finalidade de nos preparar para ela, Deus na sua providência oferece-nos a Quaresma, «sinal sacramental da nossa conversão», que anuncia e torna possível voltar ao Senhor de todo o coração e com toda a nossa vida.
Com a presente mensagem desejo, este ano também, ajudar toda a Igreja a viver, neste tempo de graça, com alegria e verdade; faço-o deixando-me inspirar pela seguinte afirmação de Jesus, que aparece no evangelho de Mateus: «Porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos» (24, 12).
Esta frase situa-se no discurso que trata do fim dos tempos, pronunciado em Jerusalém, no Monte das Oliveiras, precisamente onde terá início a paixão do Senhor. Dando resposta a uma pergunta dos discípulos, Jesus anuncia uma grande tribulação e descreve a situação em que poderia encontrar-se a comunidade dos crentes: à vista de fenômenos espaventosos, alguns falsos profetas enganarão a muitos, a ponto de ameaçar apagar-se, nos corações, o amor que é o centro de todo o Evangelho.
Os falsos profetas
Escutemos este trecho, interrogando-nos sobre as formas que assumem os falsos profetas?
Uns assemelham-se a «encantadores de serpentes», ou seja, aproveitam-se das emoções humanas para escravizar as pessoas e levá-las para onde eles querem. Quantos filhos de Deus acabam encandeados pelas adulações dum prazer de poucos instantes que se confunde com a felicidade! Quantos homens e mulheres vivem fascinados pela ilusão do dinheiro, quando este, na realidade, os torna escravos do lucro ou de interesses mesquinhos! Quantos vivem pensando que se bastam a si mesmos e caem vítimas da solidão!
Outros falsos profetas são aqueles «charlatães» que oferecem soluções simples e imediatas para todas as aflições, mas são remédios que se mostram completamente ineficazes: a quantos jovens se oferece o falso remédio da droga, de relações passageiras, de lucros fáceis mas desonestos! Quantos acabam enredados numa vida completamente virtual, onde as relações parecem mais simples e ágeis, mas depois revelam-se dramaticamente sem sentido! Estes impostores, ao mesmo tempo que oferecem coisas sem valor, tiram aquilo que é mais precioso como a dignidade, a liberdade e a capacidade de amar. É o engano da vaidade, que nos leva a fazer a figura de pavões para, depois, nos precipitar no ridículo; e, do ridículo, não se volta atrás. Não nos admiremos! Desde sempre o demónio, que é «mentiroso e pai da mentira» (Jo 8, 44), apresenta o mal como bem e o falso como verdadeiro, para confundir o coração do homem. Por isso, cada um de nós é chamado a discernir, no seu coração, e verificar se está ameaçado pelas mentiras destes falsos profetas. É preciso aprender a não se deter no nível imediato, superficial, mas reconhecer o que deixa dentro de nós um rasto bom e mais duradouro, porque vem de Deus e visa verdadeiramente o nosso bem.
Um coração frio
Na Divina Comédia, ao descrever o Inferno, Dante Alighieri imagina o diabo sentado num trono de gelo; habita no gelo do amor sufocado. Interroguemo-nos então: Como se resfria o amor em nós? Quais são os sinais indicadores de que o amor corre o risco de se apagar em nós?
O que apaga o amor é, antes de mais nada, a ganância do dinheiro, «raiz de todos os males» (1Tm 6, 10); depois dela, vem a recusa de Deus e, consequentemente, de encontrar consolação n'Ele, preferindo a nossa desolação ao conforto da sua Palavra e dos Sacramentos. Tudo isto se permuta em violência que se abate sobre quantos são considerados uma ameaça para as nossas «certezas»: o bebé nascituro, o idoso doente, o hóspede de passagem, o estrangeiro, mas também o próximo que não corresponde às nossas expetativas.
A própria criação é testemunha silenciosa deste resfriamento do amor: a terra está envenenada por resíduos lançados por negligência e por interesses; os mares, também eles poluídos, devem infelizmente guardar os despojos de tantos náufragos das migrações forçadas; os céus – que, nos desígnios de Deus, cantam a sua glória – são sulcados por máquinas que fazem chover instrumentos de morte.
E o amor resfria-se também nas nossas comunidades: na Exortação apostólica Evangelii gaudium procurei descrever os sinais mais evidentes desta falta de amor. São eles a acédia egoísta, o pessimismo estéril, a tentação de se isolar empenhando-se em contínuas guerras fratricidas, a mentalidade mundana que induz a ocupar-se apenas do que dá nas vistas, reduzindo assim o ardor missionário.
Que fazer?
Se porventura detectamos, no nosso íntimo e ao nosso redor, os sinais acabados de descrever, saibamos que, a par do remédio por vezes amargo da verdade, a Igreja, nossa mãe e mestra, nos oferece, neste tempo de Quaresma, o remédio doce da oração, da esmola e do jejum.
Dedicando mais tempo à oração, possibilitamos ao nosso coração descobrir as mentiras secretas, com que nos enganamos a nós mesmos, para procurar finalmente a consolação em Deus. Ele é nosso Pai e quer para nós a vida.
A prática da esmola liberta-nos da ganância e ajuda-nos a descobrir que o outro é nosso irmão: aquilo que possuo, nunca é só meu. Como gostaria que a esmola se tornasse um verdadeiro estilo de vida para todos! Como gostaria que, como cristãos, seguíssemos o exemplo dos Apóstolos e víssemos, na possibilidade de partilhar com os outros os nossos bens, um testemunho concreto da comunhão que vivemos na Igreja. A este propósito, faço minhas as palavras exortativas de São Paulo aos Coríntios, quando os convidava a tomar parte na coleta para a comunidade de Jerusalém: «Isto é o que vos convém» (2 Cor 8, 10). Isto vale de modo especial na Quaresma, durante a qual muitos organismos recolhem coletas a favor das Igrejas e populações em dificuldade. Mas como gostaria também que no nosso relacionamento diário, perante cada irmão que nos pede ajuda, pensássemos: aqui está um apelo da Providência divina. Cada esmola é uma ocasião de tomar parte na Providência de Deus para com os seus filhos; e, se hoje Ele Se serve de mim para ajudar um irmão, como deixará amanhã de prover também às minhas necessidades, Ele que nunca Se deixa vencer em generosidade?
Por fim, o jejum tira força à nossa violência, desarma-nos, constituindo uma importante ocasião de crescimento. Por um lado, permite-nos experimentar o que sentem quantos não possuem sequer o mínimo necessário, provando dia a dia as mordeduras da fome. Por outro, expressa a condição do nosso espírito, faminto de bondade e sedento da vida de Deus. O jejum desperta-nos, torna-nos mais atentos a Deus e ao próximo, reanima a vontade de obedecer a Deus, o único que sacia a nossa fome.
Gostaria que a minha voz ultrapassasse as fronteiras da Igreja Católica, alcançando a todos vós, homens e mulheres de boa vontade, abertos à escuta de Deus. Se vos aflige, como a nós, a difusão da iniquidade no mundo, se vos preocupa o gelo que paralisa os corações e a ação, se vedes esmorecer o sentido da humanidade comum, uni-vos a nós para invocar juntos a Deus, jejuar juntos e, juntamente conosco, dar o que puderdes para ajudar os irmãos!
O fogo da Páscoa
Convido, sobretudo os membros da Igreja, a empreender com ardor o caminho da Quaresma, apoiados na esmola, no jejum e na oração. Se por vezes parece apagar-se em muitos corações o amor, este não se apaga no coração de Deus! Ele sempre nos dá novas ocasiões, para podermos recomeçar a amar.
Ocasião propícia será, também este ano, a iniciativa «24 horas para o Senhor», que convida a celebrar o sacramento da Reconciliação num contexto de adoração eucarística. Em 2018, aquela terá lugar nos dias 9 e 10 de março – uma sexta-feira e um sábado –, inspirando -se nestas palavras do Salmo 130: «Em Ti, encontramos o perdão» (v. 4). Em cada diocese, pelo menos uma igreja ficará aberta durante 24 horas consecutivas, oferecendo a possibilidade de adoração e da confissão sacramental.
Na noite de Páscoa, reviveremos o sugestivo rito de acender o círio pascal: a luz, tirada do «lume novo», pouco a pouco expulsará a escuridão e iluminará a assembleia litúrgica. «A luz de Cristo, gloriosamente ressuscitado, nos dissipe as trevas do coração e do espírito», para que todos possamos reviver a experiência dos discípulos de Emaús: ouvir a palavra do Senhor e alimentar-nos do Pão Eucarístico permitirá que o nosso coração volte a inflamar-se de fé, esperança e amor.

Abençoo-vos de coração e rezo por vós. Não vos esqueçais de rezar por mim.
Vaticano, 1 de Novembro de 2017
Solenidade de Todos os Santos
Francisco

quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

A mulher 'revestida de sol' (Apocalipse 12) é Maria, Israel ou a Igreja?

A INSTITUIÇÃO DA "RAINHA Mãe" surge, pela primeira vez, na descendência da Casa da Davi, nos reis que vieram após o seu reinado.

Na narrativa bíblica sobre a entronização do rei Salomão, percebe-se a reverência do rei pela mãe, Betsabé, quando esta vem visitá-lo, concedendo-lhe todas as honras e um trono para que ela se assentasse à sua direita (1Rs 2, 19).

A atitude de Salomão remete ao Salmo 44: “Posta-se à vossa direita a rainha, ornada de ouro de Ofir.” A rainha é Gebirah, a Rainha-mãe. Os hebreus mantiveram essa tradição até o exílio da Babilônia, quando já não havia mais rei. A partir dessa época, iniciou-se a esperar pela vinda do novo "Filho de Davi", o Messias, o Cristo Filho de Deus e Salvador do Mundo que restauraria todas as coisas.

Quando o Anjo Gabriel visita a Virgem Maria e lhe revela os planos de Deus, anuncia que Jesus herdará “o trono de seu pai Davi; e reinará eternamente na Casa de Jacó”. S. Gabriel Saúda Maria, dizendo “Ave, cheia de Graça!”: o Mensageiro de Deus está, assim, saudando a Rainha-mãe, Mãe do “Filho do Altíssimo”, cujo “Reino não terá fim.” Do mesmo modo, Isabel, repleta do Espírito Santo, quando Maria chega a sua casa, a saúda: “Donde me vem a honra de vir a mim a mãe de meu Senhor?” (Cf. Lc 1, 43)

No Apocalipse de S. João, encontram-se alguns traços desse reinado. É nesse livro que a Virgem Maria surge mais uma vez como Rainha do Céu, “uma Mulher revestida do sol, com a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas” (Cf. Ap 12, 1).

Todavia alguns teólogos modernos – católicos e protestantes – passaram a interpretar que a "mulher", citada no livro do Apocalipse seria na realidade um simbolismo utilizado pelo autor sagrado para designar a antiga cidade de Israel e suas doze tribos, enquanto que outros sugerem que a passagem seria uma alusão à Igreja triunfante, simbolicamente coroada no Céu.

Qual a interpretação correta? A "mulher do Apocalipse" é a Virgem Maria, a Igreja triunfante ou o antigo povo de Israel (o povo de Deus do AT)? No vídeo abaixo, o autor ex-protestante e apologista do "Catholic Answers", Jimmy Akin, esclarece a posição predominante na Igreja Católica hoje, demonstrando, com simplicidade, que a questão não é tão complexa quanto possa parecer.


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Ref:
RICARDO, Paulo, padre. Por que nós chamamos a Virgem Maria de Rainha e de Senhora?, disp. em:
https://padrepauloricardo.org/episodios/por-que-nos-chamamos-a-virgem-maria-de-rainha-e-de-senhora
Acesso 9/6/017
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Fonte:Canal 'O Tradutor Católico', disp. em:
https://www.youtube.com/watch?v=EWzIRlDoEec