quarta-feira, 20 de novembro de 2013

Ser Católico

Paz e Bem!
Amados irmãos, o Brasil já foi referido muitas vezes como o maior país católico do mundo. Uma conhecida pesquisa mostrou recentemente que cerca de 74% da população brasileira se declara católica. Mas quantos destes conhecem realmente a doutrina católica?
Quantos destes procuram viver de acordo com os mandamentos de Deus e os preceitos da Santa Igreja?
E talvez não procurem viver assim porque nem conheçam a doutrina católica...
A situação torna-se mais complicada ainda quando presenciamos instituições que se denominam católicas e mesmo parte do clero defendendo idéias contrárias à doutrina católica.
Com efeito, o saudoso Papa João Paulo II, na sua fabulosa Encíclica Veritatis Splendor (1993), mostrou grande preocupação em relação à idéias contrárias à doutrina católica sendo defendidas em instituições que se denominam católicas (n.116).
A importância de se conhecer a fé e a moral católica, em uma formação consistente, é muitas vezes negligenciada pelos próprios católicos, ignorando que:
  • A fé NÃO é um sentimento, e sim uma adesão à um conjunto de verdades que são apreendidas intelectualmente (Catecismo da Igreja Católica, 155)
  • Muitos deixam de ser católicos por terem conhecido pouco os fundamentos da fé católica, e acabam aderindo ao protestantismo, ao espiritismo, ao ateísmo, ao agnosticismo, ao indiferentismo religioso, ao relativismo, ao socialismo ou outras doutrinas incompatíveis com a fé católica
  • A vida moral é condição necessária para a salvação; embora muitos possam se salvar na ignorância invencível, através da busca sincera da verdade e da vivência da lei natural, existe também um tipo de ignorância que é culposa, quando não se procura suficientemente a verdade e o bem (Catecismo da Igreja Católica, 1790-1791)
  • A vida moral é condição necessária para a plena realização humana e a justa ordem social (se a Lei Divina fosse observada, não haveria homicídios voluntários, roubos, assaltos, estupros, drogas, corrupção, adultérios, abortos, invasões de terras, governos totalitários, nacionalismos desordenados, etc)
  • Pouco se ama o que pouco se conhece, muito se ama o que muito se conhece. Conhecendo a doutrina católica, mais se ama a Deus, as Suas Obras e a Sua Santa Igreja, mais se deseja realizar a Sua Vontade, mais se deseja o Céu.
  • É impossível realizar um apostolado eficaz e dialogar com quem pensa diferente, sem conhecer a doutrina católica. Já dizia São Josemaria Escrivá: “Para o apóstolo moderno, uma hora de estudo é uma hora de oração”.
Já dizia Nosso Senhor Jesus Cristo: “Conhecereis a Verdade e a Verdade vos libertará.” (Jo 8, 32)
Em tudo isso vemos que não basta, então, ter uma vida espiritual; é preciso também o conhecimento de um conjunto de verdades necessárias para dar a direção adequada a esta vida espiritual.
É como um barco à vela: não basta que ele se mova, mas é preciso se mover para a direção certa.
Para combater, portanto, um relativismo doutrinal “politicamente correto” que muitas vezes é ensinado, em 1992 o saudoso Papa João Paulo II determinou a publicação do “Catecismo da Igreja Católica”, contendo um resumo oficial da doutrina católica. Pela sede que o ser humano naturalmente tem de conhecer à Deus e Sua Verdade, o Catecismo tem se difundido cada vez mais. Mas infelizmente, muitos católicos ainda não tem contato com ele.
Muitos falam da necessidade de conhecer-se a Bíblia, mas ignoram o fato que a Bíblia NÃO contém toda a Verdade Revelada por Deus (há ainda a Tradição Apostólica), e só pode ser autenticamente interpretada pelo Sagrado Magistério da Igreja, que nos transmite a Escritura (a Bíblia) e a Tradição. Diz o Concilio Vaticano II: "O ofício de interpretar autenticamente a Palavra de Deus escrita ou transmitida foi confiado unicamente ao Magistério vivo da Igreja, cuja autoridade se exerce em nome de Jesus Cristo." (Dei Verbum, n. 10)
Sem a autoridade do Magistério, portanto, a Bíblia como temos hoje nem existiria, pois foi o próprio Magistério quem definiu os livros que deveriam fazer parte da Sagrada Escritura (os chamados "canônicos") e quais não deveriam (os chamados "apócrifos"), no pontificado do Papa São Dâmaso, próximo ao Concílio de Éfeso (século IV).  A Bíblia sem o Magistério da Igreja é perigosa, pois pode levar à interpretações equivocadas e com péssimas conseqüências em todos os sentidos.
Assim, é fundamental que cada católico tenha à mão um Catecismo, tanto para um estudo sistemático, como para ser fonte de consulta quando houver necessidade.
O Catecismo pode ser encontrado, em geral, nas livrarias católicas, tanto em sua versão completa como na sua versão em compêndio (na forma de perguntas e respostas).

Deus quer fazer de você um vitorioso

Queridos irmãos, é importante percebemos, a partir da sequência da liturgia desta semana, aquilo que Deus quer nos falar, principalmente para nós carismáticos, ao falarmos sobre a eficácia da intercessão. Para refletir sobre esse tema, usaremos a primeira leitura (cf. Êxodo 17,8-13), que lemos no dia de hoje, na qual estamos no caminho rumo à Terra Prometida. 
Devemos estar atentos ao que Deus quer nos falar com a experiência que temos feito. E refletir: Em quem está a nossa confiança? Nessa passagem bíblica, onde estava a confiança? Na espada empunhada por Josué ou nas mãos erguidas de Moisés? Sabemos que existe uma graça de conquista sobre Josué, pois ele foi o escolhido para levar aquele povo a adentrar a Terra Prometida. Hoje, o foco principal está sobre Moisés, que foi o grande combatente, junto ao povo que o seguiu em direção à Terra Prometida.
Não sei o que você está vivendo, mas aprendemos hoje que Israel colocou Deus à sua frente e saiu vitorioso. O que você está esperando para confiar no Senhor? Você não está combatendo sozinho, Deus está com você e acredite que Ele tudo faz e quer lhe dar a vitória! 
Se você for insistente na oração, eu tenho uma boa notícia para você: conquistará a vitória que deseja! A oração é a arma que temos, ela faz com que sintamos a presença de Deus, mesmo diante do sofrimento, e nos faz fiéis. 
No Angelus de hoje, o Papa Francisco disse: "A luta contra o mal é dura e longa, requer paciência e resistência". Mas você vai me dizer: "Padre, mas eu tenho me cansado [de orar]!" Amado, olhe para o seu lado, você está na Igreja, procure seus amigos de oração, pois eles combaterão com você; não lute só! Quando vier a tentação busque-os, eles irão rezar por você. Além deles, temos Jesus Cristo, "o novo Moisés", que nunca parará de interceder por nós. 
Na Carta aos Hebreus, lemos que, constantemente, Jesus está diante do Pai intercedendo por nós. Não estamos sozinhos, temos um Deus fiel e poderoso ao nosso lado. 
Temos que ser humildes diante da nossa fraqueza e dizer aos nossos irmãos: "Me ajuda!" Ou seja: "Irmão, não me deixe desistir, segure em minha mão!" Deus é nosso aliado, Deus está ao nosso lado, a fé n'Ele é a força, e a oração é a expressão da fé. 
No Salmo de hoje perguntamos: "Eu levanto os meus olhos para os montes: de onde pode vir o meu socorro?". E qual a resposta que o próprio Salmo 120 nos dá? "Do Senhor é que me vem o meu socorro, do Senhor que fez o céu e fez a terra!" O salmista pediu socorro porque a situação era difícil, mas, confiante, ele pede socorro: "Ele não deixa tropeçarem os meus pés, e não dorme quem te guarda e te vigia. Oh! não! ele não dorme nem cochila, aquele que é o guarda de Israel!" O Senhor cuida de você, Ele é seu guarda! 
O nosso Deus é um Deus acessível, pois todas as horas em que você se dirige ao Senhor Ele o escuta! A oração sustenta a nossa fé, mesmo que digam que uma situação não tem mais jeito, continue firme, pois o Senhor o ouvirá! 
São Tomás de Aquino nos dá algumas dicas para que nossa oração seja infalível: "A oração por uma pessoa torna-se difícil, pois depende da abertura do coração daquela pessoa". Para se ter uma oração infalível, peça para você mesmo aquilo que lhe é necessário, como por exemplo os dons e os carismas do Espírito Santo, pois são fundamentais para a sua salvação. E também orienta que nossa oração seja piedosa e humilde, pois "Deus resiste aos soberbos". 
O Catecismo da Igreja Católica (CIC) refere-se a nós como "mendigos que necessitam de Cristo". Quando for rezar, faça uma oração atenta, sem se distrair. 
Reze com perseverança, ou seja, com insistência. Não desista, mesmo enfermo seja um guerreiro na oração. Deixe de ser um coitadinho ou uma coitadinha, e penetre na misericórdia de Deus.


Padre Roger Luís
www.cancaonova.com

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O Autor da Vida é gerado no Ventre Materno

 
    Uma das mais belas profissões de fé do cristianismo é a Encarnação, ou seja, que “Deus amou de tal forma o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele acredita não morra, mas tenha a vida eterna” (Jo 3,16). Um Deus apaixonado, que na radicalidade do seu amor, “esvaziou-se a si mesmo... tornando-se semelhante aos homens” (Fl 2,6), “em todas as coisas, menos no pecado” (Hb4,15). Deus Filho, permanecendo Deus, assume toda a fragilidade da carne humana e “nasceu de uma mulher” (Gl 4,4).
    Quem de nós, se pudesse escolher uma mãe para dela nascer, não escolheria a melhor de todas? Pois bem, Deus Pai escolhe para o Filho a melhor de todas as moradas; mas o melhor para Deus, nem sempre é igual aquilo que julgamos ser o melhor: Deus escolheu para ser Mãe de seu Filho uma jovem tão pobre que vai dar à luz em um estábulo (Lc 2,7). Essa jovem era tão pobre que morava em uma cidade tão pequena que nem constava nos registros da época e que era tão desprezada que as pessoas se perguntavam: “De Nazaré pode sair coisa boa?” (Jo1,46).
    “O nome da virgem era Maria” (Lc 1,27), uma menina tão jovem que, provavelmente, tinha entre doze e treze anos (idade na qual era costume se noivar). Ela devia ser tão mirradinha quanto qualquer criança pobre dos países subdesenvolvidos. Mas ela havia “encontrado graça diante de Deus” (Lc 1,30). Hoje, na idade dela, existem tantos jovens irresponsáveis e inconseqüentes, mas a pobre Mariazinha, com tão pouca idade já sentia todo o peso do mundo sobre seus ombros, de seu sim dependia a salvação da humanidade:
    — “Eis que você vai ficar grávida – anuncia-lhe o anjo Gabriel – terá um filho e dará a ele o nome de Jesus. Ele será chamado filho do Altíssimo. O Senhor dará a Ele o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre os descendentes deJacó. E o seu reino não terá fim” (Lc 1,31ss)
    — “Como vai acontecer isso, se não vivo com nenhum homem?” (Lc 1,34) – pergunta Maria ao anjo.
    — “O Espírito Santo virá sobre você, e a força do Altíssimo a cobrirá com sua sobra. Por isso, o Santo que vai nascer de você será chamado Filho de Deus” (Lc1,35).
Como não temer? Como não fugir diante de fato tão extra-ordinário? Porém, Maria, cheia de coragem e maturidade, responde humildemente:
    — “Eis a escrava do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38).
Pelo sim de Maria, “abriram-se as comportas do Céu” e o Eterno entrou no tempo. Em segredo, o Menino Deus era tecido no ventre imaculado de Nossa Senhora. A Segunda Pessoa da Trindade Santa, Deus Imenso como o Pai e o Espírito Santo, encerrava-se todo inteiro em uma ínfima célula humana! Tão grande e, ao mesmo tempo, tão pequeno. Todo-poderoso e tão frágil. Tão humano e tão divino. Um ser que não era sujeito ao tempo e ao espaço, mas quis neles habitar...
    Se de Deus Pai, Jesus herdava todos Seus tributos divinos: onipotência,onisciênciaonipresença, eternidade, imortalidade, santidade... de Maria, lhe vem a herança genética: cada célula, cada fibra, cada fio de cabelo, cor dos olhos, tiposangüíneo, toda fragilidade humana... a carne de Jesus é a carne de Maria!
    Todo o processo de gestação de Jesus seguiu o processo natural, exceto pelo fato de não ter participação de sêmen humano “porque ela concebeu pela a açãodo Espírito Santo” (Mt 1,20). Encerrava-se o Rei dos Reis em uma única célula tão pequena que mal daria para ver a olho nu! E durante os próximos nove meses, o ventre de Nossa Senhora, seria o Seu Templo, onde habitaria plenamente, o primeiro Sacrário, o Santo dos Santos...
    À medida que o tempo vai passando essa única célula se divide: duas, quatro, oito... aderindo ao útero mariano o embrião do Divino Redentor é nutrido pela Virgem Mãe. Pouco a pouco surge o formato da sagrada cabeça, que, posteriormente, será coroada de espinhos pelos soldados, e a espinha, que será açoitada pelo flagelo...
    Na quarta semana, surgem as cavidades as quais originaram os santos ouvidos, que escutarão tantas blasfêmias na Cruz, mas também tantos gestos de fé. Os olhinhos rudimentares se desenvolvem em forma de talinhos e também assim é o coração sagrado, nessa fase, um coração que será “manso e humilde” (Mttranspassado pela lança do soldado e de onde sairá sangue e água (Jo 11,29), um coração que também será 19,34).
    Na quinta semana, as orelhinhas são visíveis, cavidades marcam a posição de onde será o sacro narizinho. Na sexta semana, surgem as primeiras feições da sagrada face, a mesma que se estampará no véu de Verônica, a mesma que será tão espancada e maltratada. Surgem os dedinhos das mãozinhas e dos pesinhos.
    Com oito semanas, o Deus que se tornou semente de homem já media cerca de 2,5 cm e devia pesar por volta de dois gramas. Ele brotava no silêncio do ventre virginal, quase que imperceptível. Era modelado pelas mãos do Pai, tecido no seio materno fibra por fibra: o corpo já era todo revestido de nervos e, pela primeira vez em toda eternidade, a Segunda Pessoa da Santíssima Trindade haveria deexperimentar as primeiras sensações táteis, sentir o carinho da Mãe! Dois seres, uma só vida; o que a Mãe sente, o Filho sente; Aquele que seria o Alimento de nossa alma era agora alimentado pela frágil virgenzinha... Aquele que é Todo-poderoso, agora, precisa dos cuidados maternos...
    No quarto mês de gestação a Menina Mãe já apresentava visíveis feições de grávida, e o Verbo de Deus já possuía audição e, do interior do ventre mariano, Jesus já era capaz de escutar as batidas do coração materno, que soavam como que uma doce e intensa percussão a qual embalava seu sono. Já era também capaz de ouvir vozes abafadas que vinham do mundo exterior: vozes dos parentes, amigos, vizinhos, a voz grave de São José e a fala suave de Sua Mãe...
    No sexto mês, o Jesus Bebê ainda não nascido, já sorri e chora, sente o gosto e o cheiro do líquido no qual está envolto, escuta perfeitamente as vozes de fora, e até gosta de música. Os olhinhos já distinguem o claro e o escuro e toda uma gama de sensações nunca antes experimentadas são vividas pelo Deus Menino. Já é possível sentir o Pequeno Grande se movendo, “chutando”. “Bendita entre as mulheres e bendito é o fruto do seu ventre!” (Lc 2,42) diz santa Isabel a Maria, e nós repetimos na oração da Ave-Maria.
    O tempo passa e “enquanto estavam em Belém, se completaram os dias para o parto, e Maria deu à luz o seu primogênito” (Lc 2,6s). Eis que nasce o Menino Deus, entre gritos e choro... após passarem sal em sua pele para revigorá-lo e o enfaixarem (Lc 2,7) de modo bastante apertado para que os membros cresçam perfeitos, a doce Mãe de Deus O tomou nos braços e alimentava com o leite puro de seus seios virginais Aquele que seria o Alimento de todos nós na Eucaristia!
    Entre lágrimas de alegria e cansaço físico, Nossa Senhora estava encantada com a magia daquele momento: aquelas mãozinhas tão pequenas, aqueles olhinhos tão miudinhos e cheios de pureza, aquele corpinho tão frágil e inocente... quem poderia imaginar que aquele anjinho tão delicado, enfaixado em simples panos e deitado em uma humilde manjedoura, era o Deus Todo-poderoso? O mesmo Deus de Abraão, Isaac e Jacó... cumpriu-se em Maria aquilo que o Espírito Santo falou por meio do profeta Isaías: “Eis que a virgem concebe e dá à luz a um filho” (Is 7,14).
    E desde então, por toda vida Maria iria cuidar de Jesus. Foi Ela quem esteve ao Seu lado quando o Menino Deus começou a engatinhar. Foi Ela quem estava lá quando o Divino Infante deu seus primeiros passinhos. Foi Ela que, com o coração aflito, O levantava e cuidava de seus machucados, após Suas quedas. Era ela quem acordava à noite para amamentá-lo, quem ficava, aos pés da cama, cuidando da Criança divina quando estava doente e foi por Ela que o Filho chamou, por primeiro, quando aprendeu a falar: “mamãe”!
    Foi de Maria que Deus Onisciente aprendeu a ser humano, a viver como humano, a pensar como humano... suas primeiras noções sobre a Lei, sobre ética, justiça, amor. Foi por reconhecer o papel de Maria na educação de Jesus que, certa vez, uma mulher gritou no meio da multidão para Jesus: “Feliz o ventre que te carregou e os seios que te amamentaram!” (Lc 11,27). E vamos percebendo que a vida de Jesus se entrelaça com a nossa, as experiências vividas por ele são semelhantes as nossas...

Maternidade Divina


Ensina o Concilio do Vaticano II: “quis, porém, o Pai das misericórdias, que a Encarnação fosse precedida pela aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de Seu Filho, para que, assim como contribuiu para a morte, a mulher também contribuísse para a vida (Lumen Gentiun, 56).
A solenidade de Maria Santíssima, Mãe de Deus, é a primeira festa mariana que apareceu na Igreja do Ocidente.
Desde os primeiros séculos surgiram hersias que perturbaram a vida da Igreja e ameaçaram a sã doutrina. Dentre elas uma surgiu com Nestório, patriarca de Constantinopla, no século V, que teve a ousadia de declarar: “porventura, pode Deus ter uma mãe? Nesse caso não podemos negar a mitologia grega, que atribui uma mãe aos deuses!”
Entretanto, reunida no Concílio de Éfeso, no ano 431, a Igreja proclamou solenemente uma das verdades mais queridas ao povo cristão: “Maria é verdadeiramente Mãe de Deus, que é verdadeiro Filho de Deus”.

Assim, estava debelada para sempre a perigosa heresia que queria ver em Jesus duas pessoas, uma divina e outra humana, sendo Maria apenas Mãe desta última. Não, disse o Concílio de Éfeso. Maria é Theotókos (Theo = Deus; Tokos = Mãe), Mãe de Deus!

São Cirilo de Alexandria, presente nesse Concílio, havia replicado a Nestório: “Dir-se-á: a Virgem é mãe da divindade? Ao que respondemos: o Verbo vivo subsiste, é gerado pela própria substância de Deus Pai, existe desde toda a eternidade... Mas Ele se encarnou no tempo e por isso, pode-se dizer que nasceu da mulher”.
Jesus, Filho de Deus, é Filho de Maria. É sangue de Maria, é a carne de Maria. Fica em Jesus a marca de Maria, o caráter, e até, não esqueçamos, a herança genética, a fisionomia, a voz, a carne de Maria. Seu corpo é todo feito do corpo de Maria. Como Jesus não foi gerado pelo sêmen de um homem, biologicamente, tudo lhe veio de Sua Mãe. Por isso dizia Santo Agostinho: “a Carne de Jesus é a Carne de Maria”.
(...)
Contra o erro de Nestório é preciso afirmar ainda mais uma vez, com a Igreja, que Jesus Cristo é apenas uma Pessoa, embora tenha duas naturezas: a divina e a humana, unidas hipostaticamente, como ensina a Teologia. E Maria é Mãe dessa Pessoa única que é Jesus.
São Cirilo, atleta da fé, que Deus suscitou para impedir o avanço dessa heresia infernal, argumentava: “as mães, apesar de não gerarem a alma, são ditas mãe do homem inteiro e não genitoras do corpo humano apenas”.
No Concílio de Éfeso (431), com cerca de duzentos bispos de todas as partes, pesaram as declarações de São Cipriano, Santo Atanásio, Santo Ambrósio, São Basílio para a tomada da decisão. Foi definida a unidade da pessoa de Jesus e a maternidade divina de Maria. E esta definição foi confirmada no ano 451 pelo Concílio de Calcedônia e depois ainda pelo segundo Concílio de Constantinopla. 



FONTE:
AQUINO, Felipe. A Mulher do Apocalipse. São Paulo: Vozes, 1995 (4ª Ed.) pp. 35-42
Trecho extraído do livro "A Mulher do Apocalipse", do prof. Felipe Aquino 



terça-feira, 29 de outubro de 2013

EXORCISMO E POSSESSÕES

O exorcismo é a invocação que a Igreja faz, em nome de Jesus Cristo, por intermédio de um ministro ordenado, para proteger e afugentar o demônio de uma pessoa ou objeto.
Eles podem ser divididos em dois tipos: simples e solenes. O exorcismo simples ocorre no rito do batismo, quando o cristão é preparado para confessar sua fé à Igreja. Já o exorcismo solene, que só pode ser celebrado por um presbítero designado, tem aspecto sacramental e é celebrado em casos de opressão ou possessão. Esse tipo de prática precisa ser autorizada pelo Ordinário, o bispo local, que pode ordenar um exorcismo solene mediante estudo do caso.
O exorcista deve ser um sacerdote, autorizado pelo bispo local ou com autorização expressa da Santa Sé.
Padre Gabriele Amorth, exorcista da diocese de Roma Foto: Wesley Almeida
Nos dias de hoje, muito se confunde a prática do exorcismo com orações de cura e libertação. Com relação a isso, o padre Gabriele Amorth, exorcista da diocese de Roma e autor do livro "Habla un Exorcista", diz que o exorcismo é apenas o sacramental instituído pela Igreja. O poder de expulsar demônios que Jesus conferiu a todos os fiéis é válido. Este poder é baseado na lei e na oração, e pode ser exercido por indivíduos ou comunidades sem nenhuma autorização. Entretanto, esse tipo de ato, trata-se de preces de libertação, e não devem ser chamadas de exorcismos.
O que diz o Catecismo da Igreja a respeito do exorcismo:

E.56.1 Exorcismo na celebração do Batismo
§1237 Visto que o Batismo significa a libertação do pecado e de seu instigador, o Diabo, pronuncia-se um (ou vários) exorcismo(s) sobre o candidato. Este é ungido com o óleo dos catecúmenos ou então o celebrante impõe-lhe a mão, e o candidato renuncia explicitamente a satanás. Assim preparado, ele pode confessar a fé da Igreja, à qual será "confiado" pelo Batismo.

E.56.2 Significação dos exorcismos de Jesus
§517 Toda a vida de Cristo é mistério de Redenção. A Redenção nos vem antes de tudo pelo sangue da Cruz, mas este mistério está em ação em toda a vida de Cristo: já em sua Encarnação, pela qual, fazendo-se pobre, nos enriqueceu por sua pobreza; em sua vida oculta, que, por sua submissão, serve de reparação para nossa insubmissão; em sua palavra, que purifica seus ouvintes; em suas curas e em seus exorcismos, pelos quais "levou nossas fraquezas e carregou nossas doenças" (Mt 8,17); em sua Ressurreição, pela qual nos justifica.
§550 O advento do Reino de Deus é a derrota do reino de Satanás: "Se é pelo Espírito de Deus que eu expulso os demônios, então o Reino de Deus já chegou a vós" (Mt 12,28). Os exorcismos de Jesus libertam homens do domínio dos demônios. Antecipam a grande vitória de Jesus sobre "o príncipe deste mundo". E pela Cruz de Cristo que o Reino de Deus ser definitivamente estabelecido: "Regnavit a ligno Deus - Deus reinou do alto do madeiro".

E.56.3 Significação e fins do exorcismo e de sua maneira de fazer
§1673 Quando a Igreja exige publicamente e com autoridade, em nome de Jesus Cristo, que uma pessoa ou objeto seja protegido contra a influência do maligno e subtraído a seu domínio, fala-se de exorcismo. Jesus o praticou, é dele que a Igreja recebeu o poder e o encargo de exorcizar. Sob uma forma simples, o exorcismo é praticado durante a celebração do batismo. O exorcismo solene, chamado "grande exorcismo", só pode ser praticado por um sacerdote, com a permissão do bispo. Nele é necessário proceder com prudência, observando estritamente as regras estabelecidas pela Igreja. O exorcismo visa expulsar os demônios ou livrar da influência demoníaca, e isto pela autoridade espiritual que Jesus confiou à sua Igreja. Bem diferente é o caso de doenças, sobretudo psíquicas, cujo tratamento depende da ciência médica. É importante, pois, verificar antes de celebrar o exorcismo se se trata de uma presença do maligno ou de uma doença. 

“A Sagrada Escritura nos ensina que os espíritos malignos, inimigos de Deus e do homem, desenvolvem sua ação de diversas maneiras; entre elas está a obsessão diabólica chamada também possessão diabólica. Entretanto, a obsessão diabólica não é o modo mais freqüente como o espírito das trevas exerce sua influência. A obsessão tem características de espetacularidade e nela o demônio se apodera, de um certo modo, das forças e das atividades físicas da pessoa que padece a possessão. Não pode, entretanto, apoderar-se da livre vontade do sujeito, e por isso o demônio não pode comprometer a vontade livre da pessoa possuída até o ponto de fazê-la pecar. Esta violência física que o diabo exerce no obsesso é uma incitação ao pecado, que é o que o diabo busca lograr. O ritual do exorcismo indica diversos critério e indícios que permitem chegar, com prudente certeza, à convicção de quando se tem diante de si uma possessão diabólica. Então o exorcista autorizado poderá realizar o solene rito do exorcismo. Entre estes critérios encontram-se: falar ou entender muitas palavras em línguas desconhecidas, evidenciar coisas distantes ou inclusive escondidas, demonstrar forças além da própria condição, e isto junto com a aversão veemente a Deus, à Virgem, aos Santos, à Cruz e às imagens santas.”
2. Após identificada, qual o próximo passo? 


Vale a pena destacar que para poder realizar o exorcismo é necessária autorização do Bispo diocesano, autorização que pode ser concedida para um caso específico ou também de modo geral e permanente ao Sacerdote que exerce na diocese o ministério de exorcista.
3-Como um exorcismo é realizado?

No ritual encontra-se, antes de tudo, o rito do exorcismo propriamente dito, a ser exercitado sobre uma pessoa possessa. Seguem as orações a recitar-se publicamente por um sacerdote, com a permissão do Bispo, quando se julga prudentemente que existe uma influência de Satanás sobre lugares, objetos ou pessoas, sem chegar ao estado de uma possessão própria e verdadeira. Há, além disso, uma coleção de orações para recitar de forma privada por parte dos fiéis, quando estes suspeitam com fundamento de estarem sujeitos ou sob influência diabólica. 

O exorcismo tem como ponto de partida a fé da Igreja, segundo a qual existem Satanás e os outros espíritos malignos, e que sua atividade consiste em afastar os homens do caminho da salvação. A doutrina católica nos ensina que os demônios são anjos caídos por causa do pecado, que são espíritos de grande inteligência e poder: "Entretanto, o poder de Satanás não é infinito. Não é mais do que uma criatura, poderosa pelo fato de ser puramente espírito, mas sempre criatura: não pode impedir a edificação do Reino de Deus. Embora Satanás atue no mundo por ódio contra Deus e seu Reino em Jesus Cristo, e embora sua ação cause graves danos de natureza espiritual e indiretamente inclusive de natureza física – em cada homem e na sociedade, esta ação é permitida pela divina providência que com força e doçura dirige a história do homem e do mundo. Porque Deus permite a atividade diabólica é um grande mistério, mas "nós sabemos que em todas as coisas Deus intervém para bem dos que o amam" (Rm 8, 28)" (Catecismo da Igreja Católica, n. 395).

Conforme a instrução sobre o exorcismo publicada pela Congregação para a Doutrina da Fé, cabe observar quantos aos leigos:

1. O cânon 1172 do Código de Direito Canônico declara que a ninguém é lícito proferir exorcismo sobre pessoas possessas, a não ser que o Ordinário do lugar tenha concedido peculiar e explícita licença para tanto (1º). Determina também que esta licença só pode ser concedida pelo Ordinário do lugar a um presbítero dotado de piedade, sabedoria, prudência e integridade de vida (2º). Por conseguinte, os srs. Bispos são convidados a urgir a observância de tais preceitos.

2. Destas prescrições, segue-se que não é lícito aos fiéis cristãos utilizar a fórmula de exorcismo contra Satanás e os anjos apóstatas, contida no Rito que foi publicado por ordem do Sumo Pontífice Leão XIII; muito menos lhes é lícito aplicar o texto inteiro deste exorcismo. Os srs. Bispos tratem de admoestar os fiéis a propósito, desde que haja necessidade.
Continuaremos logo mais.....

Fonte: Catolicismo romano / Catecismo

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Padre brasileiro é nomeado responsável pelo setor jovem do Pontifício Conselho para os Leigos


O Pontifício Conselho para os Leigos (PCL) divulgou em sua página oficial na internet que o padre brasileiro João Wilkes Rebouças Chagas Júnior é o novo responsável pelo setor jovem do dicastério. Uma das obrigações do setor é a organização das Jornadas Mundiais da Juventude (JMJ) em colaboração com o Comitê Organizador Local (cidade sede).

Padre João Wilkes é missionário da Comunidade Católica Shalom e especialista em teologia espiritual na Pontifícia Faculdade Theresianum de Roma. Começou sua colaboração junto a seção jovem do dicastério expressamente nos preparativos da JMJ do Rio de Janeiro desde 2011.

De acordo com a comunicação oficial a confirmação do novo responsável pela seção jovem ocorreu no dia 22 de outubro de 2013, dia da memória do beato João Paulo II. "Consciente de meus limites, mas desejoso de doar-me inteiramente ao Senhor neste serviço, hoje desejo garantir-vos a minha disponibilidade em vos escutar e caminhar junto a vós na edificação do Reino de Deus", declarou Wilkes, escrevendo aos responsáveis pela pastoral da juventude das conferências episcopais e das associações, movimentos, e novas comunidades internacionais.

No Brasil o fundador e moderador geral da Comunidade Católica Shalom, Moysés Azevedo, afirmou que a nomeação de padre Wilkes é um dos frutos da JMJ. "O serviço do padre João como responsável pelo setor de juventude do PCL é também um fruto da JMJ no Brasil. Creio que a sua nomeação também reflete o que a Igreja espera dos jovens do Brasil e de toda a América Latina com relação à grande responsabilidade de colaborar com a evangelização dos jovens do mundo inteiro", declarou o fundador.

Moysés também destacou a nomeação do missionário Shalom como um dos frutos da comunidade nascida em Fortaleza (CE) e destacou o significado data de confirmação do novo responsável pelo setor jovem. "É uma graça divina que isto tenha se concretizado no dia de João Paulo II, porque a comunidade nasceu aos pés do beato, no desejo de ofertar nossa vida e juventude paras evangelizar os jovens, em especial os mais distantes de Cristo e da Igreja", recordando a visita de João Paulo II à capital cearense em 1980. (JS)

Da redação do Portal Ecclesia.

A família está fundada no matrimônio para sempre, diz o Papa


VATICANO, 25 Out. 13 / 02:10 pm. Ao receber nesta manhã os participantes da 21ª Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, o Papa Francisco explicou que a família está fundada no matrimônio para sempre e é o âmbito natural da vida humana onde as pessoas aprendem a amar.
Em seu discurso, o Santo Padre disse que "a família está fundada no matrimônio. Através de um ato de amor livre e fiel, os esposos cristãos testemunham que o matrimônio, por ser sacramento, é a base onde se funda a família e faz mais sólida a união dos cônjuges e sua entrega recíproca. O amor conjugal e familiar também revela claramente a vocação da pessoa de amar de forma única e para sempre e de que as provações, os sacrifícios e as crises do casal, como da mesma família, representam passagens para crescer no bem, na verdade e na beleza".
Tudo isto, disse o Papa, "é uma experiência de fé em Deus e de confiança recíproca, de liberdade profunda, de santidade, porque a santidade pressupõe entregar-se com fidelidade e sacrifício todos os dias da vida".
"A família é uma comunidade de vida que tem uma consistência autônoma... Não é a soma das pessoas que a constituem, mas é uma comunidade de pessoas", indicou Francisco, citando as palavras do Beato João Paulo II na exortação apostólica "Familiaris consortio"- ao receber nesta manhã os participantes na XXI Assembleia Plenária do Pontifício Conselho para a Família, que acontece nestes dias em Roma.
A família, continuou o Pontífice, é "o lugar onde se aprende a amar; o centro natural da vida humana... Cada um de nós constrói sua personalidade na família... ali se aprende a arte do diálogo e da comunicação interpessoal". Por isso "a comunidade-família deve reconhecer-se como tal, ainda mais no dia de hoje, quando predomina a tutela dos direitos individuais".
O Santo Padre destacou duas fases da vida familiar: a infância e a velhice, recordando que "as crianças e os idosos representam os dois polos da vida, os mais vulneráveis e, com frequência, os mais esquecidos. Uma sociedade que marginaliza as pessoas idosas renega as suas raízes e obscura o seu futuro".
"Todas as vezes que se abandona uma criança e se deixa de lado um idoso, não se comete apenas um ato de injustiça, mas também se proclama o fracasso dessa sociedade. Prestar atenção aos pequenos e aos anciões denota civilização".
Nesse sentido o Papa reconheceu que se alegra de que o Pontifício Conselho tenha cunhado uma imagem nova da família que representa a cena da apresentação de Jesus no templo, com Maria e José que levam o Menino, para cumprir a Lei, e os dois anciões, Simeão e Ana que, movidos pelo Espírito Santo, acolhem-no como o Salvador e cujo lema é: "De geração em geração se estende a sua misericórdia".
"A 'boa nova' da família é uma parte muito importante da evangelização, que os cristãos podem comunicar a todos através do testemunho de suas vidas: já o fazem, é evidente nas sociedades secularizadas".
"Proponhamos, portanto, a todos, com respeito e coragem, a beleza do matrimônio e da família iluminados pelo Evangelho. E por isso nos aproximamos com atenção e afeto às famílias que atravessam por dificuldades, às que se veem obrigadas a deixar a sua terra, às que estão divididas, às que não têm casa nem trabalho, ou que sofrem por tantos motivos; aos cônjuges em crise e aos que estão separados. Queremos estar perto de todos".

Fonte: (ACI/EWTN Noticias).-