quarta-feira, 27 de maio de 2026

“Não podemos deixar que a IA ganhe autonomia moral”, diz o teólogo Jorge Cunha
O sacerdote português alerta para a necessidade de “uma mobilização para dizer que a ação humana é avaliada pelo seu sujeito”. “O ser humano é o sujeito e, portanto, não pode deixar que a inteligência artificial crie formas sofisticadas de manipulação”, afirma. Rui Saraiva – Portugal “Magnifica Humanitas”, “Magnífica Humanidade”, é a primeira encíclica do Papa Leão XIV. Um documento sobre a proteção da pessoa humana na era da inteligência artificial (IA). Assinada a 15 de maio, na data dos 135 anos da encíclica “Rerum Novarum” de Leão XIII, a apresentação do texto do Papa Leão XIV teve lugar na manhã de 25 de maio. Desarmar a IA A sessão contou com uma intervenção no final do próprio Santo Padre, na qual apelou a uma mobilização global para travar o potencial destrutivo da IA, defendendo um escrutínio moral rigoroso sobre os avanços tecnológicos. “A inteligência artificial exige agora ser desarmada, libertada das lógicas que a transformam num instrumento de dominação, exclusão e morte”, declarou Leão XIV. O Papa comparou a ameaça algorítmica aos perigos do armamento nuclear “A Igreja trabalha há muito tempo para o desarmamento nuclear, consciente de que todo o grande poder tecnológico pode afetar a vida das pessoas e, por isso, deve ser acompanhado de um discernimento moral adequado e de um controlo público”, afirmou o Papa. Leão XIV revelou que este documento está fundamentado numa profunda escuta de peritos, de agentes políticos e de vítimas de sistemas informáticos enviesados. “Ouvi relatos muito preocupantes de algoritmos que podem bloquear o acesso à saúde, ao emprego e à segurança com base em dados contaminados por preconceito e injustiça”, assinalou Leão XIV. O Papa destacou que “não devemos temer a inteligência artificial”, mas não esquecer a “questão do ser humano”. Porque “a pessoa transporta em si uma liberdade, uma interioridade e a vocação para amar e adorar que nenhuma máquina pode substituir ou bloquear”, declarou o Santo Padre. Advertir a humanidade sobre os riscos da IA Pedimos ao teólogo português Jorge Cunha um primeiro comentário ao texto agora publicado. O docente da Universidade Católica Portuguesa considera que o Papa se coloca na perspetiva da encíclica “Rerum Novarum” de Leão XIII. Salienta a coragem do Papa Leão XIV ao “advertir a humanidade sobre os riscos do mundo novo que nós estamos a construir”. “Ele pretende colocar-se na perspetiva da “Rerum Novarum”. E, portanto, ele aqui também se coloca na mesma perspetiva pastoral, digamos, da parte da Igreja de prevenir, de advertir, de corrigir aquilo que as coisas novas indiciam como perigos para o nosso mundo, como caminhos que levam a desconsiderar a magnífica humanidade que Deus nos deu. E, portanto, é essa a preocupação dele, se bem percebi, não é? E, de qualquer maneira, revela muita coragem, revela muita coragem para denunciar, sobretudo os aspetos da questão da guerra, que tem uma grande importância. Não era de esperar que a questão da guerra tivesse uma grande importância, não é necessariamente o tema geral da encíclica, mas tem. A questão da guerra, a questão do trabalho, a questão da economia, a questão da desigualdade. Portanto, ele mostra-se muito corajoso a advertir a humanidade sobre os riscos do mundo novo que nós estamos a construir”, afirma o teólogo. O teólogo assinala a importância do multilateralismo na resolução de conflitos e sublinha os “povos como sujeitos da paz”, declarando que “não podemos confiar a guerra à inteligência artificial”. “Nós não podemos confiar a guerra à inteligência artificial e depois desculpar-nos dizendo que a inteligência artificial se enganou, não podemos, não podemos. Nós não podemos nunca desculpar os subsídios que encontramos para a nossa atividade, mesmo para fazer a guerra. Não podemos passar adiante do princípio da responsabilidade e da imputabilidade, ele diz isso muito claramente. Alguém tem de responder pelo mal que se faz, mesmo no contexto bélico, pela autonomia ou pela capacidade de ação, independentemente de nós, das armas novas criadas pela inteligência artificial. E o beligerante, se cometeu um erro, tem de o admitir e pedir desculpa e restituir o mal que fez de maneira nenhuma. E portanto, desculpar-se, dizer que o drone enganou-se, por favor, nós temos de conduzir o drone, ir responder pelo drone e aceitar as culpas que o drone fez. E portanto, a exigência do multilateralismo, voltar ao multilateralismo e ao multilateralismo ascendente, portanto, de inventar um ponto de partida dos povos como sujeitos da paz e não propriamente só os governantes, isso está lá muito bem dito e até a condenação do esquema da guerra justa, mais uma vez, vem. Eu até esperava que ele não tivesse dito que a guerra defensiva é diferente, mas de facto é um problema insolúvel. Nós temos de nos conformar com o realismo de que a humanidade é conflitual, de que a humanidade é agressiva e, portanto, temos de conter a fúria agressiva que muitas vezes nos surpreende”, assinala o sacerdote. Mobilização pela ação humana no mundo O padre Jorge Cunha considera que a Igreja é um importante “player” mundial no sentido de uma mobilização para não deixar que a IA “crie formas sofisticadas de manipulação”. Porque “não podemos deixar que a IA ganhe autonomia moral”. “Sim, eu acho que isso é a nossa missão, nós temos uma grande capacidade disso, ele insiste várias vezes nisso, na responsabilidade, nós não podemos deixar que a inteligência artificial ganhe autonomia no sentido da autonomia moral, de maneira nenhuma. A inteligência artificial é um utensílio, é uma ferramenta que tem muitas virtualidades, mas sobretudo quando existe a tendência para a inteligência artificial começar a agir com autonomia, de certo modo, e a relacionar dados até com mais velocidade do que nós, e dados que eventualmente podem levar a conclusões que induzem erro, aí nós temos de estar muito atentos. Portanto, aí precisamos de uma mobilização para dizer que a ação humana é avaliada pelo seu sujeito. E portanto, nós não podemos deixar de manter-nos como sujeito de todas as ações que acontecem no mundo. O ser humano é o sujeito e, portanto, não pode deixar que a inteligência artificial crie novas situações, crie formas sofisticadas de manipulação. Portanto, diante disso, nós temos de estar muito atentos, a Igreja é um player de primeira ordem nisso, porque a sua teologia moral foi sempre um robustecimento da vontade humana, da inteligência humana, para poder comandar o processo e para poder fazer crescer a humanidade em responsabilidade. Isso aí está muito bem dito em vários sítios da encíclica”, diz o padre Jorge Cunha. Igreja deseja, “com humildade e franqueza”, participar no diálogo sobre IA O Papa revelou na sua intervenção no final da apresentação da encíclica, que a Igreja deseja, “com humildade e franqueza”, participar no diálogo sobre IA. “Contribuímos com uma sabedoria sobre o humano que o nosso tempo necessita desesperadamente: cada pessoa é única e insubstituível, um sujeito livre e inteligente, dotado de consciência, capaz de buscar a Deus, servir os outros e cuidar da nossa casa comum”, declarou o Papa. E a própria apresentação da encíclica foi já um momento de procura de diálogo. Nela participaram vários especialistas que fizeram uma primeira leitura do documento. Foram eles Anna Rowlands, teóloga e professora da Durham University, no Reino Unido; Christopher Olah, cofundador da Anthropic (EUA) e responsável pela pesquisa sobre a interpretabilidade da inteligência artificial e Leocadie Lushombo i.t., docente de teologia política e pensamento social católico na Jesuit School of Theology de Santa Clara, Califórnia. A apresentação que teve lugar na Sala Nova do Sínodo, no Vaticano foi moderada pelo cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin, e teve as intervenções dos cardeais Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé e Michael Czerny, S.J., prefeito do Dicastério para o Serviço do Desenvolvimento Humano Integral. Laudetur Iesus Christus Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/igreja/news/2026-05/papa-leao-magnifica-humanitas-ia-dignidade-pessoa-humana.html

quarta-feira, 4 de novembro de 2020

O Brasil está à beira de um caos e precisamos fazer algo!

 Padre José Eduardo:

IDEOLOGIA DE GÊNERO E A SERIEDADE 

A ideologia de gênero pode ser considerada sob dois aspectos diferentes e complementares: como ideologia formada a partir de estudos interdisciplinares, que engendraram uma nova concepção da identidade, dissolvida a partir de uma epistemologia antisubstancialista, desconstrucionista e pós-estruturalista; ou como um recurso político para a efetivação de uma verdadeira revolução social.

O primeiro aspecto é bastante comentado, especialmente em palestras que focalizam o assunto sob a perspectiva histórico-filosófica, mostrando a incongruência das chamadas "teorias de gênero" e o seu conteúdo substancialmente ideológico.

O segundo aspecto é, contudo, o mais importante no momento e, dada a proximidade da votação do dia 11/11 no STF, é este que gostaria de salientar.

Para entendê-lo, precisamos saber que a impetração da ADI 5668 por parte do PSOL afirma que: 1) ideologia é a negação de qualquer realidade com base numa ideia; 2) a existência de pessoas LGBTQI+ é uma realidade e negá-lo seria uma ideologia; 3) portanto, o STF teria de declarar a obrigatoriedade do ensino das "teorias de gênero" nas escolas do Brasil, visto que a Constituição veda qualquer tipo de discriminação.

O argumento é falacioso por diversos motivos. O primeiro e o mais importante dos quais é que simplesmente a "ideologia de gênero" não afirma a identidade de pessoa alguma, antes, contraria a noção mesma de identidade e, deste modo, é maximamente ideológica (a identidade seria apenas a performance transitória e fluida, sequer suportada por um sujeito).

Contudo, como toda ideologia, a de gênero trabalha com polissemia e, portanto, explora variações com o objetivo preciso de desorientar o interlocutor e deixá-lo nas condições de fazer justamente aquilo que os ideólogos pretendem.

A gravidade da situação é, contudo, ainda mais séria. E, isso, por duas razões:

1. Se o STF julgar procedente a ADI, o ensino de gênero será considerado obrigatório em todas as escolas. A reversão deste quadro será praticamente impossível, pois, decidindo ser inconstitucional a não obrigatoriedade do ensino da ideologia de gênero, o único modo para se reverter o quadro seria a tentativa de um Projeto de Emenda à Constituição (que requer maioria absoluta na Câmara e no Senado), mas nem sequer isto seria realmente possível, pois o STF tem poderes para julgar como inconstitucional inclusive uma PEC, alegando violação de cláusula pétrea, o que tornaria a situação ainda mais crônica e irreversível.

2. Pressupondo que a ideologia de gênero se torne obrigatória, isto iniciará no Brasil um tipo de revolução política muitíssimo mais profunda do que aquelas que já aconteceram na história. Explico.

A Revolução Francesa, a partir da filosofia iluminista, pretendeu dissolver a nobreza para gerar a burguesia, uma elite formada unicamente a partir de critérios econômicos, sob uma ideologia igualitarista.

A Revolução Comunista, a partir da filosofia hegeliana, que é bem mais radical que a iluminista, entendia que a dissolução da burguesia seria a etapa histórica sucessiva, que necessariamente criaria uma ditadura do proletariado, sob uma ideologia igualitarista e totalitária ainda mais forte.

Porém, Marx e Engels já tinham percebido que não seria possível fazer uma Revolução profunda sem acabar com a célula madre da sociedade, a família. Aos poucos, o movimento marxista percebeu que, para destruir a família, era preciso destruir a complementaridade do homem e da mulher (o que eles chamam de heterossexualidade ou heteronormatividade).

Ora, a ideologia de gênero é a ferramenta para o completo desmonte da complementaridade do homem e da mulher através da completa dissolução da própria noção de masculino e feminino.

Isto significa que, caso a ADI 5668 seja aprovada pelo STF – e a maior probabilidade é que o seja – estaremos entrando numa nova Revolução, que irá dissolver a própria família, dissolvendo a identidade das criancinhas desde a escola. Que a personalidade de uma criança esteja em formação e possa ser profundamente manipulada, isso é de escandalosa obviedade.

É evidente que estes resultados não se percebem de imediato, mas apenas depois de dez ou vinte anos podem ser visíveis na superfície da sociedade: é necessário ter toda uma geração formada nas escolas para, depois, observar-se o fenômeno da dissolução do tecido social em larga escala.

O que fazer diante disto? É preciso que nos manifestemos fortemente, usando a única arma que nós temos. Os ministros do STF não são eleitos pelo povo e, deste modo, não são suscetíveis à pressão popular. Apenas os deputados e senadores o são. 

Por isso, eles podem usar um instrumento de pressão: o PL 4754 que responsabiliza os ministros do Supremo por crime de responsabilidade caso usurpem prerrogativas do poder legislativo, o que abriria o caminho para processos de impeachment.

Precisamos agir e pedir que o PL 4754 seja pautado antes da votação do dia 11/11. Caso contrário, corremos o risco de entrar numa nova Revolução, da qual não teremos mais volta.


Fonte :

https://www.facebook.com/Pe.JoseEduardo/posts/219873426164525

sábado, 24 de outubro de 2020

O Papa Francisco realmente aprova a união homoafetiva?

 Diante de mais uma polêmica em torno de pronunciamentos do Papa Francisco a grande mídia noticiou que este havia aprovado a união homoafetiva. Mas, será mesmo?

Deixando claro

O site O Catequista fez uma longa explanação sobre o assunto e, convidamos você a separar um tempo para ler e compreender mais este fato.

Segue matéria na íntegra:

É treta, povo católico!

Hoje (21-10) o Papa Francisco foi novamente notícia por conta de uma declaração dada no documentário “Francesco”, que estreou no Festival de Cinema de Roma. O filme aborda a pastoral do Papa e suas opiniões sobre temas sociais em evidência.

A fala que caiu como uma bomba na imprensa aconteceu em uma parte do filme dedicada à questão das pessoas com atração pelo mesmo sexo, e foi a seguinte:

“Os homossexuais têm o direito de estar em uma família. São filhos de Deus e têm o direito de estar em uma família. Não se pode expulsar ninguém de uma família ou atirar alguém na miséria por isso. O que temos que fazer é uma lei de convivência civil. Assim terão o direito de estar cobertos legalmente.” Este é o link do vídeo em espanhol.

Ponto a ponto

A primeira coisa que chama atenção é o fato de que Francisco não parece estar falando de uma união civil homossexual nas primeiras frases. Ele claramente parece estar se referindo ao problema de um homossexual ser expulso de sua família.

Então, quando ele diz que todos merecem ter família, não está, como a imprensa tem destacado, falando que eles deveriam “se casar”.

Na parte final da sua declaração, ele coloca a necessidade de uma lei de convivência civil. Nesse momento, o papa pode ainda estar falando sobre os direitos de um filho(a) homossexual. É difícil ter certeza sem ver o filme inteiro. Porém, é realmente mais provável que ele esteja falando da necessidade de garantir direitos para um relacionamento entre pessoas do mesmo sexo. E, nesse último caso, precisamos questionar:

Uma afirmação assim pode alterar a doutrina ou modus operandi da Igreja?

NÃO. EM HIPÓTESE ALGUMA. NADA MUDA!

O papa pode mudar a lei da Igreja?

É muito importante afirmar categoricamente que, se o Papa Francisco realmente afirmou ser favorável a esse tipo de união, nada muda em termos de doutrina ou conduta. Neste caso, estaríamos diante apenas de uma opinião pessoal e não de um ensinamento oficial do Magistério.

Em outras palavras: nenhum católico pode, a partir de uma frase solta de documentário, afirmar nada diferente da doutrina que a Igreja guarda há dois mil anos, e que é imutável. Sobre isso, ponto final. Não há dúvidas aqui.

Mas mesmo não mudando nada, faz sentido ir um pouco além de se debruçar sobre a pergunta que todos estão se fazendo nesse momento: O Papa Francisco é favorável à união civil entre pessoas do mesmo sexo?

A resposta aqui também é NÃO. Francisco não é favorável à união civil entre pessoas do mesmo sexo e muito menos à equiparação desse tipo de relacionamento com a família. Além disso, também é contra a adoção de crianças por “casais” (duplas) homossexuais.

A Deus o que é de Deus

O que se pode entender dentro do contexto deste documentário é que Francisco parece estar deixando claro que, se algo precisa ser feito, só pode ser feito na esfera civil e dentro de questões objetivas. Mas como podemos ter tanta certeza sobre o posicionamento de Francisco nesta questão?

Pelo seu histórico. Francisco sempre se posicionou contrário à legalização da união civil homossexual em todos os foros dos quais participou, e lutou ativamente contra uma lei do tipo na Itália e também na Argentina, quando ainda era arcebispo de Buenos Aires.

Para que não reste absolutamente nenhuma dúvida sobre isso, vamos mostrar uma lista completa dos pronunciamentos do Papa acerca do tema desde o início do seu pontificado, começando pelo mais recente. Assim, evitamos qualquer efeito nefasto de uma declaração mal entendida ou mesmo descuidada.

DECLARAÇÕES DE FRANCISCO SOBRE A FAMÍLIA E SOBRE A UNIÃO CIVIL HOMOSSEXUAL

Em 25/03/2017, diante das críticas da ONU à Itália por proibir a adoção de crianças por “casais” homossexuais, Francisco disse:

“Seria possível questionar-se: o Evangelho continua a ser alegria para o mundo? E mais ainda: a família continua a ser uma boa notícia para o mundo de hoje? Estou convicto que sim! E este «sim» encontra-se firmemente fundado no desígnio de Deus.

O amor de Deus é o seu «sim» à criação inteira e ao seu âmago, que é o homem. Trata-se do «sim» de Deus à união entre o homem e a mulher, em abertura e ao serviço da vida em todas as suas fases; é o «sim» e o compromisso de Deus a favor de uma humanidade muitas vezes ferida, maltratada e dominada pela falta de amor.

Por conseguinte, a família é o «sim» do Deus Amor. Somente a partir do amor a família pode manifestar, propagar e regenerar o amor de Deus no mundo. Sem o amor não podemos viver como filhos de Deus, nem como cônjuges, pais e irmãos.” (Carta, Encontro Mundial das Famílias, 2018)

FONTE: Site ocatequista.com.br

sexta-feira, 31 de maio de 2019

A recente Consagração do Brasil ao Imaculado Coração foi válida? Sacerdote esclarece

BRASILIA, 24 Mai. 19 / 07:28 pm (ACI).- Após a assinatura da Consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria realizada no Palácio do Planalto, neste 21 de maio, que contou com a presença de Dom Fernando Arêas Rifan, ordinário da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney e do presidente Jair Bolsonaro, começaram a surgir críticas ao ato presidencial na internet colocando em questão sua validez. Em entrevista a ACI Digital, o sacerdote Augusto Bezerra, conhecido pelo seu apostolado nas redes sociais, esclarece.
Na celebração, realizada no Salão Leste do Palácio do Planalto, o presidente assinou o ato de consagração do Brasil, que foi “um pedido da Frente Parlamentar Católica”, representada pelo Deputado Eros Biondini (PROS-MG). Na ocasião foi rezado um mistério do terço sob a presidência do Diácono Nelson Correa, da Comunidade Canção Nova seguida de um canto de consagração entoado por todos os presentes. Na verdade, como explicou o Padre Oscar Pilloni, quem ofereceu umas palavras sobre a devoção a Maria no Brasil e sua importância para vida dos brasileiros, nesta ocasião na verdade foi renovada a solene Consagração do Brasil ao Imaculado Coração de Maria.
Segundo assinalaram os organizadores, consagrar o Brasil ao Imaculado Coração, seria uma forma de responder ao pedido feito por Nossa Senhora em Fátima, porém, segundo críticas de alguns internautas, o ato realizado em Brasília teria carecido de efeito pois não teria utilizado a fórmula já conhecida de consagração das nações ao Imaculado Coração de Maria, nem contou a presença de todo o colegiado bispos. Os fatos que foram esclarecidos pelo Padre Augusto em suas declarações a ACI Digital.
“Em primeiro lugar precisamos entender que a consagração a Nossa Senhora não se trata de um rito sacramental, no sentido de haver rubricas inamovíveis, fixas, que devem ser obedecidas com rigor ou do contrário a mesma seria inválida. Note-se que existiram várias formas de Consagração a Nossa Senhora na história da Igreja e existem formas diferentes em muitos lugares do mundo ainda hoje. Essas tradições vão se moldando segundo a devoção popular”, destacou.
O sacerdote da Arquidiocese do Rio, que se encontra em Roma para um período de estudos, destacou o conhecido método de consagração a Nossa Senhora proposto por São Luis Maria Grignon de Montfort, através do seu tratado “que é feito por muitos jovens pelo Brasil e pelo mundo afora” e que já é tradicional em muitos lugares e afirmou que é igualmente válida, a consagração “mais singela ou mais espontânea como aquela que se realiza depois do batismo de uma criança”.
“A Consagração das crianças após a celebração do sacramento do batismo é um bom exemplo. Os cantos ou as fórmulas podem variar de uma Igreja particular para a outra e ainda assim, todas são igualmente válidas”, ressaltou.
“É preciso mudar esta ideia de que existe uma única maneira rígida, litúrgica, para a consagração a Nossa Senhora até porque esta é uma “para-liturgia”, explicou.
“Por outro lado devemos considerar que este gesto do governo de introduzir a imagem de Nossa Senhora no Palácio do Planalto, é um gesto de temor a Deus em primeiro lugar, quando a gente muda de uma situação política onde Deus tem espaço na sociedade, os católicos devem colocar-se numa posição de júbilo, pois, até pouco tempo atrás, testemunhamos como Deus estava sendo proibido em alguns corredores públicos. Então quando começamos a ver o nome de Deus defendido, falado nesses corredores públicos, sem ser censurado, sem ser violentado, isto é um sinal positivo para nós”.
Padre Augusto também abordou os críticos da consagração dizendo que o Presidente Bolsonaro a teria realizado em busca de melhorar sua popularidade.
“Nós não estamos em grau de julgar isto. Em todo caso, se isto ocorreu, quem o julgará será Deus e não nós, pois não estamos em condições de ver os corações das pessoas. Entretanto, só o fato de ter o mínimo de temor e reverência pelo sagrado, pelo religioso, por aquilo que é sinal da fé. Isto já é uma coisa muito boa porque Deus tem espaço.
“Se um governo abre a porta para Deus, que bom! Então deixe Jesus entrar!”, disse Pe. Bezerra. “Não nos portemos como os fariseus que julgavam as supostas segundas intenções das pessoas ao redor de Jesus”, acrescentou.
“É muito feio ver cristãos e católicos criticando um simples gesto de fé como o que foi realizado em Brasília. Não devemos nos portar como os fariseus pois é assim que Jesus quer entrar neste governo, e em toda a sociedade, nas escolas, nas universidades, nas casas, nos ambientes de comunicação. Não importa quem esteja lá dentro e quais sejam as intenções destas pessoas, pois Jesus pode mudar o coração de qualquer um, até daqueles que têm segundas intenções”.
“Acredito que este é um passo para romper uma cultura de positivismo, de materialismo dentro sociedade, de laicismo, de guerra contra Deus e o sobrenatural para dar espaço àquele que é o sentido da cidade dos homens. Nós precisamos reverenciar a cidade de Deus, que é o paraíso, a eternidade, para que possamos fazer qualquer coisa similar aqui na Terra, mas para isso precisamos primeiramente ter temor a Deus e devoção àquilo é da fé”, gcompletou o sacerdote.
Padre Augusto lançou também um comentário em seu perfil de Facebook sobre o assunto, abordando outros aspectos e críticas surgidas ao ato de consagração do Brasil:

Jovem ordenado sacerdote em cama de hospital celebrou sua primeira Missa

No último domingo, por meio de uma publicação no Facebook, a Congregação dos Filhos da Divina Providência, à qual o sacerdote pertence, anunciou a emocionante notícia. "Nada me separará do amor de Cristo", diz a imagem do jovem polonês, que aparece no momento da Consagração do Corpo e Sangue de Cristo.
O jovem sacerdote fez seus votos perpétuos na quinta-feira, 23 de maio, na sala de oncologia do Hospital Militar de Varsóvia (Polônia). No dia seguinte, o Bispo Auxiliar de Varsóvia-Praga, Dom Marek Solarczyk, presidiu a cerimônia em que foi ordenado diácono e depois sacerdote.
A ordenação contou com a presença do vigário geral dos Padres Orionitas, Pe. Oreste Ferrari; do conselheiro geral, Pe. Fernando Fornerod; e do diretor da província Orionita de Nossa Senhora de Czestochowa, Pe. Krzysztof Mis.
Os pais de Michal, sua irmã e outros religiosos poloneses da congregação também o acompanharam neste momento.
Michal Los pôde ser ordenado sacerdote graças à permissão concedida pelo Papa Francisco ao diretor geral da congregação, Pe. Tarcisio Vieira.

quarta-feira, 1 de maio de 2019

Hoje é a festa de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores

REDAÇÃO CENTRAL, 01 Mai. 19 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 1º de maio, a Igreja celebra a festa de São José Operário, padroeiro dos trabalhadores, coincidindo com o Dia Mundial do Trabalho. Esta celebração litúrgica foi instituída em 1955 pelo Papa Pio XII, diante de um grupo de trabalhadores reunidos na Praça de São Pedro, no Vaticano.
Naquela ocasião, o Santo Padre pediu que “o humilde operário de Nazaré, além de encarnar diante de Deus e da Igreja a dignidade do trabalho manual, seja também o providente guardião de vocês e suas famílias”.
Pio XII desejou que o Santo Custódio da Sagrada Família “seja para todos os trabalhadores do mundo, especial protetor diante de Deus e escudo para proteger e defender nas penalidades e nos riscos de trabalho”.
Por sua vez, João Paulo II, em sua encíclica “Laborem Exercens”, sublinhou que, “mediante o trabalho, o homem não somente transforma a natureza, adaptando-a às suas próprias necessidades, mas também se realiza a si mesmo como homem e até, num certo sentido, ‘se torna mais homem’”.
Mais tarde, no Jubileu dos Trabalhadores, em 2000, o Papa da família disse: “Queridos trabalhadores, empresários, cooperadores, homens da economia: uni os vossos braços, as vossas mentes e os vossos corações a fim de contribuir para a construção de uma sociedade que respeite o homem e o seu trabalho”.
“O homem vale pelo que é e não pelo que possui. Tudo o que se realiza ao serviço de uma justiça maior, de uma fraternidade mais ampla e de uma ordem mais humana nas relações sociais conta muito mais do que qualquer progresso no âmbito técnico”, acrescentou.
Oração a São José Operário
Glorioso São José, modelo de todos os que se dedicam ao trabalho, obtende-me a graça de trabalhar com espírito de penitência para expiação de meus numerosos pecados;
De trabalhar com consciência, pondo o culto do dever acima de minhas inclinações;
De trabalhar com recolhimento e alegria, olhando como uma honra empregar e desenvolver pelo trabalho os dons recebidos de Deus;
De trabalhar com ordem, paz, moderação e paciência, sem nunca recuar perante o cansaço e as dificuldades;
De trabalhar, sobretudo com pureza de intenção e com desapego de mim mesmo, tendo sempre diante dos olhos a morte e a conta que deverei dar do tempo perdido, dos talentos inutilizados, do bem omitido e da vã complacência nos sucessos, tão funesta à obra de Deus!
Tudo por Jesus, tudo por Maria, tudo à vossa imitação, oh! Patriarca São José!
Tal será a minha divisa na vida e na morte. Amém.